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terça-feira, 19 de Junho de 2018 - 07:16
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O Internato

Visita de estudo ao Museu Militar, Convento e Mata do Buçaco


Ontem, dia onze de janeiro, a chuva fez folga e deu lugar ao Sol que nos acompanhou na visita de estudo efetuada ao Buçaco.

A saída do CIC deu-se pelas oito horas e trinta minutos com os cinquenta alunos do sexto ano A e B preparados a preceito: mochilas com o farnel, calçado confortável e roupa quente, máquinas fotográficas e boa disposição!

Depois de uma hora e quinze de viagem, parámos em frente ao Museu Militar do Buçaco (1), onde nos aguardavam três sargentos que, durante duas horas, nos fizeram recuar ao início do século XIX, aquando das invasões francesas, em especial da terceira. Foi no Buçaco que as tropas anglo-lusas, comandadas por Wellington, se confrontaram com o exército napoleónico, naquela que foi uma das mais importantes batalhas da Guerra Peninsular: a Batalha do Buçaco ocorrida a vinte e sete de setembro de mil oitocentos e dez.

Os alunos colocaram as questões que acharam mais pertinentes, e um dos sargentos respondia, mostrando dominar o tema. Em seguida, visitámos a capela que, durante o período da batalha, foi aproveitada pelos Frades Carmelitas Descalços do convento próximo para acolher um hospital de sangue, onde foram assistidos os feridos da batalha de ambos os exércitos, sem qualquer distinção.

Dali, subimos a rua íngreme e estreita para visitar o obelisco, um monumento classificado, construído a partir de uma pedra única. Este monumento, comemorativo da batalha do Buçaco, possui, no topo, uma estrela com pontas de cristal e, na base, encontra- se uma coroa em bronze descerrada por D. Manuel II, no ano de mil novecentos e dez. O monumento é circundado por uma corrente de ferro unida por oito peças de artilharia.

O almoço decorreu entre muita conversa e brincadeiras com uma cadelinha que não nos largou, dado que alguns alunos lhe saciaram o apetite com pedacitos do panado ou do hambúrguer.
Para ajudar a digestão, seguimos o trilho militar até à porta de acesso direto ao Palácio/Hotel do Buçaco (2), categorizado como um dos mais belos e históricos hotéis do mundo. Para crescer, o hotel foi destruindo partes do Convento de Santa Cruz do Buçaco (3). Mal entrámos, percebemos logo como viviam os monges carmelitas: uma vida simples e austera dedicada à oração e uma profunda ligação à natureza, procurando a proximidade com Deus. Percebemos também a razão pela qual a cruz que usavam tinha a parte superior mais curta, querem saber?! Muito bem, visitem o convento!

Depois, percorremos vários quilómetros da Mata do Buçaco (4), guiados por duas cicerones muito simpáticas que explicaram tudo sobre a riqueza de uma fauna cuidadosamente tratada ao longo dos anos e que deve a sua força verdejante à grande quantidade de água da região.

A caminhada levou-nos até ao Luso, onde observámos a nascente de uma das águas de nascente mais conhecidas e bebidas.

A nossa visita terminou aqui. Em pouco mais de uma hora, o autocarro devolveu-nos ao Colégio, onde uns alunos seguiram para casa, outros continuaram o dia nas suas atividades desportivas ou outras.

As fotos e os vídeos demonstram bem o quão o dia foi profícuo quer em termos académicos, uma vez que as invasões francesas são um dos conteúdos lecionados em História e Geografia de Portugal e a mata permitiu a observação «in loco» de espécies estudadas em Ciências, quer no contacto com o património (construído e natural) que urge conhecer para reconhecer a necessidade e a importância de o preservarmos.

A todos, obrigada pela participação!


Os professores acompanhantes:
Conceição Coelho
Carla Sofia Santos
Daniela Moreira
André Sousa


Notas:
(1) O Museu Militar do Buçaco, criado e inaugurado em 1910, aquando do primeiro centenário da Batalha do Buçaco, contou com a presença do Rei D. Manuel II. Aqui se mostra, nas suas salas, o rico legado da época, nomeadamente peças militares do princípio do século XIX, figuras uniformizadas, guiões e medalhas, material e equipamento diversos, uniformes, gravuras, uma peça de campanha de nove libras, que tomou parte na batalha e respetiva guarnição, evocações miniaturizadas e uma completa maquete mostrando as posições das forças em combate. O Museu Militar é uma das grandes memórias desse tempo!

(2) O edifício foi projetado no último quartel do século XIX pelo arquiteto italiano Luigi Manini, cenógrafo do Teatro Nacional de São Carlos. Contou ainda com intervenções, em diferentes fases, dos arquitetos Nicola Bigaglia, Manuel Joaquim Norte Júnior e José Alexandre Soares.
O edifício do atual hotel, em estilo neomanuelino, está decorado com painéis de azulejos, frescos e quadros alusivos à Epopeia dos Descobrimentos portugueses, todos eles assinados por alguns dos grandes mestres das artes.
A estrutura exibe perfis da Torre de Belém lavrados em pedra de Ançã, motivos do claustro do Mosteiro dos Jerónimos, alguns arabescos e florescências do Convento de Cristo, alegando um gótico florido com episódios românticos em contraste com uma austera severidade monacal.
Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1996.

(3) O Convento de Santa Cruz do Buçaco, ligado à prática eremítica dos Carmelitas Descalços e à ação reformadora (1562) de Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz, estimulou a criação de um dos mais originais Desertos da Ordem.
A sua história inicia-se em 1628, quando o bispo de Coimbra D. João Manuel doa aos carmelitas da província portuguesa a mata do Buçaco para a construção do convento e retiro dos religiosos da Ordem. No apelo constante à solidão e ao afastamento do mundo, o Convento seria então o palco de uma experiência profunda de contemplação, oração e penitência.
A partir da ação enérgica de frei Tomás de S. Cirilo, frei João Baptista e Alberto da Virgem, o essencial da construção da complexa estrutura conventual decorreu até 1639, altura em que foi sagrada a igreja dedicada a Santa Cruz. Aqui, aliou-se o sentido simbólico da planta centralizada à prática pouco comum da colocação do templo no meio dos espaços de circulação associados às estruturas claustrais, estabelecendo-se assim a aproximação ao arquétipo do Templo de Salomão, primeiro espaço verdadeiramente sagrado da Cidade Santa. No Convento do Buçaco, o discurso iconográfico do espaço, das formas, dos materiais e das técnicas vai ao encontro de uma espiritualidade que se constrói pela fé e pobreza. O emprego das cortiças e da técnica dos embrechados, os conteúdos da azulejaria ou a força da imaginária religiosa reforçam esse sentido de uma exemplaridade cristã vivida no isolamento.
O Convento de Santa Cruz do Buçaco tinha outra dimensão que respondia às necessidades da vida conventual, mas, apesar dos rigores de um quotidiano de silêncio e penitência, não deixou de ter um papel fundamental no acolhimento ao cenário de guerra da Batalha do Buçaco, em 1810, ou atrair um constante fluxo de religiosos que, em regime temporário ou perpétuo, escolhiam este local. Procurado e beneficiado por algumas das mais prestigiadas entidades eclesiásticas dos séculos XVII e XVIII, como D. Manuel de Saldanha, Reitor da Universidade, ou D. João de Melo, bispo de Coimbra, o Convento de Santa Cruz prosperou até 1834, data em que a extinção das Ordens Religiosas ditou o seu abandono.
A partir de 1888, contudo, um novo impulso construtivo traria ao Buçaco o Palace- Hotel, o que implicou a destruição das estruturas conventuais anexas à igreja, ao corredor e pátios que hoje testemunham a existência do Convento e permitiu a sua inclusão num Buçaco romântico que permanece como um dos locais patrimonialmente mais ricos na sua diversidade compositiva.

(4) No extremo da Serra do Buçaco, onde a montanha atinge os 547 metros de altitude, encontra-se a Mata do Buçaco, cercada por um elevado muro com onze portas de entrada. Faça delas o ponto de partida para um passeio pela natureza da região e deixe-se conquistar pela exuberância serena, quase mágica, do verde intenso do Buçaco.
A Mata do Buçaco fica muito aquém das grandes florestas da Europa em extensão. No entanto, a variedade das suas espécies vegetais ultrapassa-as em grande medida.
Dentro dos muros construídos pelos Carmelitas Descalços, existem cerca de 400 espécies nativas da faixa atlântica portuguesa e, aproximadamente, 300 provenientes de outros climas. O elemento mais representativo desta simbiose é o cedro do Buçaco, um imponente cipreste originário do México que terá sido a primeira espécie exótica plantada na floresta pelos monges em 1656. O Cedro de São José, plantado há 350 anos pelos monges junto à porta com o mesmo nome, é o símbolo local desta espécie imponente de árvores.


  
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