Foi neste contexto que, na passada segunda-feira, 28 de setembro, o(a)s aluno(a)s do 11.º e do 12.º ano do Curso de Património e Turismo (PT) desenvolveram uma atividade que cruzou património, memória, identidade, criatividade e Inteligência Artificial. Por grupos, o(a)s aluno(a)s escolheram a imagem de um elemento patrimonial que lhes é particularmente significativo. Poderia tratar-se de um monumento, de uma paisagem, de uma tradição, de um objeto, de um espaço familiar ou de qualquer outro elemento associado a uma memória ou experiência pessoal. Mais do que identificar um recurso turístico, o desafio consistia em revelar a relação afetiva entre o(a)s aluno(a)s e o património escolhido. A partir de um “prompt” construído pelo(a)s próprio(a)s, o(a)s aluno(a)s solicitaram à Inteligência Artificial que reinterpretasse a imagem original, traduzindo visualmente aquilo que aquele lugar ou elemento lhes fazia sentir, recordar ou imaginar. As imagens resultantes não procuraram substituir ou falsificar a realidade patrimonial. Foram, antes, representações simbólicas e criativas de experiências vividas, sentidas e interiorizadas.
O processo permitiu compreender que o património não se resume à sua dimensão física. Ele é também memória, pertença, emoção, narrativa e significado. Uma mesma paisagem ou construção pode despertar sentimentos muito diferentes em cada pessoa, sendo essa diversidade de olhares essencial para uma interpretação mais humana e plural dos territórios.
A atividade promoveu igualmente uma reflexão crítica sobre o papel da Inteligência Artificial. O que foi preservado na imagem original? O que foi transformado? Que elementos foram acrescentados? A imagem gerada traduz verdadeiramente o que o(a) aluno(a) sente? Poderá uma ferramenta tecnológica interpretar uma experiência humana sem a participação de quem a viveu? Estas questões permitiram reforçar a importância de distinguir entre realidade, memória, interpretação e criação. A imagem original mantém o seu valor documental e patrimonial; a imagem produzida com recurso à Inteligência Artificial assume-se como uma reinterpretação artística e pessoal, devidamente identificada.
A proposta articulou-se, assim, com uma visão do património enquanto prática viva e dinâmica, que deve ser reconhecida, investigada, interpretada e protegida. Ao mesmo tempo, aproximou os alunos de novas formas de mediação digital, mostrando que a tecnologia pode funcionar como uma ponte para a experiência, para a comunicação e para a valorização responsável dos lugares.
Esta iniciativa demonstrou que o futuro do turismo não deverá ser necessariamente menos humano por integrar tecnologia. Pelo contrário, a Inteligência Artificial pode ajudar a tornar mais visíveis as histórias, as memórias e as emoções que dão sentido aos destinos. Pode apoiar a criação de experiências mais personalizadas, mas também mais conscientes da identidade dos territórios e das comunidades que os vivem.
Ao reinterpretarem imagens patrimoniais a partir do seu próprio olhar, o(a)s aluno(a)s assumiram-se como intérpretes e mediadores do património. Mostraram que viajar, conhecer e valorizar um lugar começa, muitas vezes, pela capacidade de o ver não apenas como ele é, mas também pelo modo como nos toca, nos transforma e permanece em nós.
No Curso de Património e Turismo, celebrar o Dia Mundial do Turismo foi, por isso, uma oportunidade para refletir sobre a tecnologia, mas sobretudo sobre as pessoas. Porque, mesmo num turismo redesenhado pela Inteligência Artificial, são as experiências humanas que continuam a atribuir significado aos lugares.
Convida-se toda a comunidade educativa — aluno(a)s, docentes, não-docentes e famílias — a aceitar este desafio: escolher uma imagem de um elemento patrimonial que tenha um significado especial e, através de um “prompt”, permitir que a Inteligência Artificial o reinterprete à luz das memórias, emoções e experiências que esse lugar ou elemento desperta. Mais do que criar uma nova imagem, pretende-se partilhar diferentes formas de sentir, viver e valorizar o património, reconhecendo que cada olhar acrescenta significado aos territórios e às suas histórias.
Ficam alguns registos dos lugares sentidos, experienciados e, acima de tudo, vividos pelo(a)s aluno(a)s de Património e Turismo.
A Coordenadora do Curso de PT,
Prof.ª Sónia Teixeira