“Nós esquecemos que o ciclo da água
e o ciclo da vida são, na verdade, um só.”
(Jacques Cousteau)
E a regra dos “8 copos por dia”?
Beber o correspondente a, aproximadamente, 2 litros/dia é popular, mas não tem uma base científica sólida universal, surgiu apenas como uma simplificação prática.
Na realidade, o consumo diário de água é um tema bastante estudado. No entanto, não existe um valor único universal. Há várias recomendações científicas baseadas em fatores como idade, clima, atividade física e alimentação, mas, para a maioria das pessoas saudáveis, beber quando se tem sede e manter a urina clara são bons indicadores. O importante a reter é que não existe um valor único e ideal para todos.
As recomendações de consumo são orientações médias como, por exemplo, para a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 1,5 a 2 litros de água por dia para um adulto em condições normais, procurando responder à sede como mecanismo natural e garantir hidratação suficiente para manter funções vitais. Apesar disto, mais do que a quantidade exata, a OMS foca-se no acesso a água potável segura, na qualidade da água (livre de microrganismos e contaminantes) e na prevenção de doenças associadas à água contaminada.
Já a perspetiva dos nutricionistas, sobre o consumo diário de água, tende a ser mais prática, individualizada (30 a 35 ml de água por kg de peso corporal por dia) e baseada em evidência fisiológica, ou seja, valorizam tanto a sede como sinais do corpo, combinando recomendações gerais com adaptação ao estilo de vida (atividade, clima, dieta...). A recomendação é dinâmica, não fixa.
Os nutricionistas destacam que mesmo uma desidratação leve (1 a 2%) pode afetar a concentração, a memória e o desempenho físico. Por isso, defendem muitas vezes uma abordagem preventiva, especialmente em estudantes e atletas, e relembram que nem toda a água vem de “beber água”. Alinhados com Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, relembram que cerca de 20 a 30% da água ingerida vem dos alimentos.
Neste sentido, também é importante falar de exageros. E o que é o "exagero"? Embora as necessidades variem, o consumo perigoso costuma ocorrer quando se ingere mais de 3 a 4 litros, por hora, ou quantidades muito elevadas de forma contínua. Pessoas com doenças cardíacas, renais ou cirrose (no fígado) devem ter especial cuidado.
As principais consequências da hidratação excessiva são:
- Hiponatremia (intoxicação hídrica), isto é, a redução drástica do sódio no sangue, o que afeta a transmissão de impulsos nervosos e a pressão arterial;
- Sobrecarga renal, uma vez que os rins saudáveis filtram cerca de 900 ml a 1 litro por hora, exceder significativamente este valor obriga os rins a trabalharem em excesso, gerando inchaço;
- Sintomas neurológicos e físicos, como náuseas, vómitos, fadiga, cãibras, confusão mental, dificuldade de equilíbrio e dores de cabeça podem surgir;
- Complicações graves em casos extremos, especialmente quando muita água é consumida rapidamente, pode levar a convulsões e a edema cerebral;
- Impacto no nono, pois beber muita água antes de dormir causa despertares noturnos frequentes, prejudicando o sono.
Uma última dica: é permitido beber água durante a realização dos exames nacionais. De acordo com as diretrizes do Júri Nacional de Exames (JNE), a garrafa deve ser transparente e sem rótulo para evitar a ocultação de cábulas ou informações de apoio. Todavia, a ingestão de líquidos deve ser feita de forma moderada para evitar saídas desnecessárias para a casa de banho, minimizando qualquer perturbação, incluindo para o próprio, no decorrer da prova.
Prof.ª Isabel Cristina