Aula Aberta “Matemática e Esperança” assinala o DIM no CIC

Prof.ª Fernanda Belém
19/03/2026

No dia 16 de março, a Biblioteca Dr. Nelson Padrão do CIC recebeu uma inspiradora Aula Aberta, organizada pela professora Fernanda Belém e integrada nas Comemorações do Dia Internacional da Matemática (DIM) 2026 - este ano, com o tema Matemática e Esperança e celebrado a 14 de março.

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O evento reuniu 110 alunos que frequentam as disciplinas de Matemática A e de Matemática B e, ainda, os professores Rui Jorge Neves, docente de História, Maria José Queirós, Coordenadora do Curso de Assessoria Jurídica e Documentação, e Isabel Cristina, professora de Biologia e Geologia. A aula iniciou com a intervenção da professora Fernanda Belém, que contextualizou a pertinência do encontro, num tempo marcado por incertezas globais. Recordou que a matemática oferece a capacidade de pensar com clareza, de analisar problemas complexos e de procurar soluções com rigor e criatividade. Sublinhou, ainda, que a matemática não resolve guerras, mas ajuda a compreender o mundo em que vivemos, reforçando a importância do pensamento crítico numa sociedade onde a emoção domina facilmente o debate público. A professora Fernanda Belém destacou também o carácter colaborativo da matemática, lembrando que a construção de ideias é, por natureza, um ato coletivo e que aprender em conjunto é, em si mesmo, um gesto de Esperança.


Após este enquadramento, seguiu-se a apresentação do professor Rui Jorge Neves, “1/2 de Esperança”, que encantou os presentes ao mostrar como o raciocínio matemático pode iluminar desafios aparentemente caóticos. Afirmou que, contrariando a imagem de rigidez, a matemática se revelava uma ferramenta poderosa para imaginar, prever e construir melhores realidades, uma vez que é a linguagem que nos dá razões para acreditar que as soluções são possíveis. Contou que as primeiras manifestações probabilísticas ocorreram com o Tali (jogo do osso), praticado com o astrágalo, e que a necessidade de calcular o valor médio que um jogador poderia esperar ganhar, caso o jogo fosse repetido exaustivamente, motivou o desenvolvimento do conceito de Esperança Matemática. Terminou concluindo que podíamos definir a esperança através de uma equação simples: Esperança = Conhecimento + Imaginação + Ação, em que o conhecimento explica o mundo, a imaginação abre portas para o novo e a ação permite criar soluções concretas.


De seguida, a professora Maria José Queirós iniciou a sua partilha afirmando que, num ano em que o tema da Ética atravessava toda a vida escolar, se tornava essencial refletir sobre a responsabilidade que cada um de nós assumia ao recolher, interpretar e utilizar os números. Na sua opinião, os dados não são neutros: carregam intenções, escolhas metodológicas e, muitas vezes, vieses invisíveis. Quando não são geridos dentro de um quadro de valores que consideramos fundamentais para a vida em sociedade — como justiça, transparência e respeito pela diversidade —, podiam reproduzir preconceitos, amplificando desigualdades já existentes. Salvaguardou que é aqui que a matemática e o pensamento crítico se tornam ferramentas éticas, pois um algoritmo mal construído pode reforçar estereótipos, uma estatística mal interpretada pode legitimar discursos discriminatórios e uma decisão automatizada pode excluir pessoas. Assim, a ética dos números seria, portanto, a ética das consequências.


A participação “Humanidade dos Números” procurou, através de exemplos partilhados nas notícias ou nas redes sociais, alertar os alunos para a importância de verificarem dados e estatísticas oficiais. Esses dados, baseados em estudos científicos que recorrem à matemática, permitem desmontar a desinformação com que são constantemente bombardeados através de discursos populistas ou da nova classe de influencers, que disseminam números capazes de manipular perceções, criar alarmismos artificiais ou reforçar preconceitos que, no limite, colocam em causa a Democracia e o Estado de Direito. Desejou que a matemática deixasse de ser vista apenas como um conjunto de cálculos e passasse a ser uma ferramenta de defesa intelectual, num mundo saturado de informação duvidosa, ajudando-nos a aprender e a questionar, tornando‑nos cidadãos mais críticos e menos vulneráveis a narrativas simplistas. Terminou a sua intervenção com a citação: “as estatísticas precisas, oportunas e independentes, assentes na ciência, são indispensáveis, e sociedades informadas dependem de dados de qualidade para enfrentar os desafios globais, da mudança climática às desigualdades sociais”, do Eng.º António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas.


A última partilha ficou a cargo da professora Isabel Cristina que explorou a presença da matemática na Biologia, tendo ilustrado com exemplos concretos que “Na Biologia, a Matemática é Esperança”. Partilhou que “A vida parece caótica, mas a matemática revela a ordem e onde há ordem há Esperança”. Para a professora Isabel, a matemática é feita de números, e a biologia, de seres vivos, mas, na realidade, a matemática é a linguagem que descreve a vida porque ajuda a compreender padrões, a transformar dados biológicos em decisões que salvam vidas e, portanto, a matemática ajuda a compreender a vida, a cuidar da saúde, a proteger o planeta e a construir um futuro melhor, e isso é a maior forma de Esperança.


No final destas intervenções, retomou a palavra a professora Fernanda Belém que alertou para o facto de que cada avanço tecnológico e social nasce de uma base matemática que nos permite transformar a incerteza na certeza do progresso e em que muitos colaboram sem barreiras. Afirmou que, além da técnica, a matemática é, também, um pilar da justiça social, porque dados bem utilizados identificam desigualdades e orientam políticas públicas, tornando as decisões mais transparentes. Finalizou dizendo estar convencida de que a matemática abre portas para as profissões do futuro e empodera o cidadão.


Encerrou a aula aberta o Diretor Pedagógico, Eng.º Evaristo Moreira, que enalteceu a realização do evento e reforçou a importância destas iniciativas, sublinhando que representam uma verdadeira mais‑valia para os estudantes.


Esta aula aberta foi, portanto, um momento que celebrou a matemática, mas sobretudo a capacidade humana de pensar, colaborar e construir futuro — juntos!

 

Prof.ª Fernanda Belém

 

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