Falar Saúde n.º 137
Enfarte ou AVC?

Prof.ª Isabel Cristina
10/02/2026

O país ficou comovido quando, a 25 de novembro último, uma notícia dava conta de que Nuno Markl, humorista e radialista, tinha sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral).

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“As doenças são o resultado não só dos nossos atos, mas também dos nossos pensamentos.”
(Mahatma Gandhi)

 

Muito se especulou sobre a gravidade da situação e se Markl iria sobreviver ou recuperar completamente. As redes sociais e os meios de comunicação social foram invadidos por publicações e noticias do sucedido, com verdadeiras ondas de apoio, desde os fãs a completos desconhecidos. Foi uma verdadeira comoção por todo o país. Infelizmente, também existiram comentários menos agradáveis e, sobretudo, com erros científicos graves no que respeita à definição de AVC e às suas causas, situação que diversos profissionais de saúde foram tentando esclarecer. Uma das maiores confusões que tive a oportunidade de ler, repetidamente, foi a referência a “Enfarte” em vez de “AVC” e que eram basicamente a mesma coisa, o que não é do todo verdade.


Então, qual é a diferença?

 

Enfarte do Miocárdio


O sangue que circula no nosso corpo tem como função transportar os nutrientes e o oxigénio a todas as células, incluindo às do coração. Para tal, o coração funciona graças às artérias coronárias, que são como estradas que levam o sangue ao músculo cardíaco (miocárdio) e, se uma dessas “estradas” ficar bloqueada, por exemplo, por uma placa de gordura que se forma ao longo dos anos, o sangue não consegue passar. Sem oxigénio, uma parte do músculo cardíaco começa a morrer - enfarte do miocárdio. É como se uma estrada importante estivesse cortada devido a um acidente. Como os carros não conseguem passar, há confusão e algumas zonas ficam sem abastecimento. No coração, em vez de carros, o que deixa de chegar é o sangue.


O enfarte do miocárdio ou ataque cardíaco não escolhe idade nem tipos de pessoas, está, sim, relacionado com um conjunto de fatores que vão desde o histórico familiar de problemas cardíacos à má alimentação, ao sedentarismo, tabagismo, estresse prolongado e colesterol alto ou diabetes.


O importante é reconhecer os sintomas (súbitos ou progressivos) e atuar rapidamente, pois é uma situação de emergência. Os sintomas mais comuns são:

 

  • dor ou pressão forte no peito;

  • desconforto que pode ir para o braço, pescoço ou mandíbula;

  • suor frio;

  • falta de ar;

  • náuseas ou vómitos;

  • sensação de fraqueza.


 

AVC


Por outro lado, um Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece quando o sangue deixa de chegar corretamente a uma parte do cérebro, o centro de controlo do corpo, e isto pode acontecer de duas formas:

  • AVC isquémico (o mais comum): uma artéria fica entupida, geralmente por um coágulo;

  • AVC hemorrágico: uma artéria rompe e ocorre uma hemorragia no cérebro.


Imaginemos que o cérebro é uma sala de aula e a eletricidade representa o sangue. Se a luz falhar, de repente, os computadores desligam-se e a aula para. No AVC, a “energia” deixa de chegar a uma zona do cérebro, que deixa de funcionar corretamente.


Os sinais e sintomas de AVC aparecem de forma súbita e nunca devem ser ignorados, sendo urgente a ajuda médica. A regra dos 5 “F” é uma forma fácil de identificar estes sinais e sintomas.

  • Face: pode ficar assimétrica de uma forma súbita com uma das pálpebras estarem descaídas. Estes sinais poderão ser mais bem percebidos se a pessoa afetada tentar sorrir;

  • Força: é comum um braço ou uma perna perderem subitamente a força ou ocorrer uma súbita falta de equilíbrio;

  • Fala: pode parecer estranha ou incompreensível, e o discurso não fazer sentido. Com frequência, o paciente parece não compreender o que lhe é dito;

  • Falta de visão súbita: de um ou de ambos os olhos, é um sintoma frequente, bem como a visão dupla;

  • Forte dor de cabeça: igualmente, é importante valorizar uma dor de cabeça súbita e muito intensa, diferente do padrão habitual e sem causa aparente.


Como acabamos de ver, Enfarte e AVC são doenças que afetam órgãos diferentes e que não devem ser confundidos. Apesar disso, os fatores de risco são semelhantes, mas acresce a pressão arterial elevada no AVC. Ambos podem deixar sequelas, e a sua prevenção passa por uma alimentação equilibrada, exercício físico regular, evitar fumar, descansar e gerir o estresse.

 

Prof.ª Isabel Cristina

 

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