De manhã, a visita decorreu no Museu do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e, de tarde, na Igreja de Santa Clara, proporcionando uma aprendizagem rica, interdisciplinar e profundamente motivadora.
Durante a manhã, os alunos visitaram o Museu do ISEP, onde contactaram com objetos, instrumentos e modelos ligados à Revolução Industrial, aos transportes e às comunicações. A atividade permitiu compreender melhor o impacto da tecnologia na sociedade oitocentista e o papel da engenharia e da educação técnico científica na construção da modernidade. No âmbito da aula de campo, os alunos foram convidados a realizar a atividade “Se fosses um viajante desenhador de finais do século XIX”, que consistiu na observação atenta seguida da elaboração do desenho de um dos objetos expostos, relacionando a sua forma, função e contexto histórico com a ideia de progresso técnico e científico.
Num dos momentos mais especiais da visita, os alunos tiveram a surpresa de ver de perto um exemplar da Encyclopédie de D’Alembert e um exemplar do tratado de arquitetura de Leon Battista Alberti. Este contacto direto com obras fundamentais da história do pensamento europeu tornou a experiência particularmente significativa, aproximando os estudantes das fontes originais que moldaram a ciência, a arte e a cultura.
Os alunos manifestam o seu profundo agradecimento à Professora Patrícia Costa pela excelente visita orientada ao Museu do ISEP. A forma rigorosa e envolvente como conduziu a sessão transformou o espaço museológico num verdadeiro laboratório de observação histórica, incentivando-os a olhar com atenção, a colocar questões e a relacionar cada objeto com os contextos históricos, científicos e culturais em estudo. Graças à sua mediação, o museu foi vivido como um lugar de descoberta e não apenas de contemplação.
Da parte da tarde, a aula de campo prosseguiu na Igreja de Santa Clara, um dos mais notáveis testemunhos do Barroco portuense. Aqui, os alunos aprofundaram o estudo da lógica pictórica e escultórica barroca, analisando in loco a riqueza decorativa, as narrativas religiosas e a dimensão simbólica do espaço. A visita orientada esteve a cargo do Dr. Miguel Santos, que conduziu a leitura do interior da igreja, cruzando arte, história e espiritualidade, permitindo aos alunos compreender o templo como um “manual vivo” de História da Cultura e das Artes, tornando tangíveis muitos dos conteúdos trabalhados em contexto de sala de aula.
Esta primeira aula de campo evidenciou o potencial das saídas de estudo como estratégia pedagógica que rompe com as rotinas e promove uma aprendizagem mais ativa, crítica e sensível ao património. Entre o Museu do ISEP e a Igreja de Santa Clara, os alunos puderam articular ciência, técnica, arte e religiosidade, reforçando o sentido de pertença à cidade do Porto e o respeito pela sua memória histórica. Para o Colégio Internato dos Carvalhos, experiências como esta são essenciais na formação de jovens mais informados, culturalmente conscientes e capazes de olhar o património como fonte de conhecimento e de reflexão sobre o mundo contemporâneo.
Prof.ª Paula Oliveira