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Li e Recomendo: A máquina de fazer espanhóis
Sugestão de Pedro Gomes27/01/2026
Entre todos os romances escritos por Valter Hugo Mãe, desde o mais antigo, O Nosso Reino (2004), até ao mais recente, Deus na Escuridão (2024), destaca-se aquele que é, provavelmente, o mais conhecido e elogiado: A Máquina de Fazer Espanhóis (2010).
Nesta obra, o autor dá voz a um sujeito narrativo imaginário, cuja forma de expressão revela uma forte influência do estilo de José Saramago, sobretudo pela forma singular da pontuação e na fluidez da narração.
O protagonista, António Jorge da Silva, partilha ao longo de toda a narrativa as suas emoções mais profundas, marcadas pela dor e pelo sofrimento causados pela morte da esposa, Laura, e pelo sentimento de abandono e traição quando é colocado num lar pela própria família. Apesar de toda essa solidão e amargura, o narrador reencontra momentos de felicidade e paz interior, recuperando, aos poucos, o homem que outrora fora.
A linguagem utilizada é intensa e expressiva, sem receio de recorrer ao calão quando necessário, o que torna a leitura mais real e mais próxima do leitor.
A história consegue prender a atenção desde o início até ao fim e desperta a vontade de conhecer melhor as outras obras de Valter Hugo Mãe. Desde a cena em que Laura morre no hospital ao incêndio numa das alas do lar, até à investigação de Leopoldina por causa da poça de sangue no seu quarto, cada momento tem algo que nos faz pensar.
E quanto ao título — A Máquina de Fazer Espanhóis? À primeira vista, pode parecer estranho, já que não se fala nem de máquinas nem de espanhóis. Mas, para perceber o que ele realmente significa, é preciso ler o livro e descobrir o sentido escondido por trás dessa metáfora.
Título:” a máquina de fazer espanhóis” Autor: Valter Hugo Mãe Editora: Porto Editora Modo/Género Literário: Narrativo/Romance
Sugestão de leitura do aluno Pedro Gomes