O Holocausto (“Shoah”, em hebraico) foi o genocídio sistemático levado a cabo pelo regime nazi e pelos seus colaboradores, que resultou no assassinato de cerca de seis milhões de judeus europeus — aproximadamente um terço do povo judeu —, bem como de milhões de outras vítimas, incluindo ciganos, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos, homossexuais e testemunhas de Jeová. Tratou se de um dos maiores crimes contra a humanidade de que há memória, planeado e executado pelo Estado, apoiado por uma máquina burocrática e militar que transformou a perseguição, a discriminação e a desumanização em política oficial.
Ao instituir este Dia Internacional, a ONU apelou a todos os Estados para honrarem a memória das vítimas, desenvolverem programas educativos sobre a sua história e rejeitarem sem reservas qualquer forma de negação ou distorção destes acontecimentos. A resolução defende, igualmente, a preservação dos locais históricos — campos de concentração e extermínio, prisões e outros espaços de detenção — e condena todas as formas de intolerância religiosa, incitamento ao ódio, assédio ou violência com base na origem étnica ou na crença religiosa.
Esta memória é particularmente importante e atual num mundo em que continuam a registar se discursos de ódio, ataques a minorias religiosas e étnicas, guerras, atentados terroristas e graves violações dos direitos humanos em diferentes regiões do globo. Recordar o Holocausto ajuda nos a reconhecer os sinais de alerta — a desumanização do “outro”, a propaganda, a indiferença e a banalização da violência — e a reforçar o compromisso com a paz, a dignidade humana e o respeito pela diversidade.
A educação sobre o Holocausto tem como propósito central recordar as vítimas, mas também compreender os mecanismos que levaram ao genocídio: a propaganda antissemita, as leis discriminatórias, a indiferença de muitos, o papel dos colaboradores e, por contraste, o exemplo dos que resistiram e ajudaram os perseguidos.
Ao trabalharmos estes temas em contexto escolar, promovemos uma cultura de respeito pelos direitos humanos, de valorização da diversidade e de tolerância, contribuindo para prevenir discursos de ódio e novas formas de violência coletiva.
A biblioteca do Colégio Internato dos Carvalhos associa se a esta evocação através da divulgação de livros e filmes que ajudam alunos, professores e restante comunidade educativa a conhecer melhor esta tragédia histórica. A leitura de testemunhos, romances históricos e obras de não ficção, bem como a visualização de documentários e filmes cuidadosamente selecionados, permite aproximar nos das histórias individuais por detrás dos números, desenvolvendo empatia, pensamento crítico e uma memória ativa que recuse o esquecimento.
Eis algumas sugestões de leitura:
- O Diário de Anne Frank;
- É Isto um Homem? — Primo Levi;
- Auschwitz, Cidade Tranquila — Primo Levi;
- As Irmãs de Auschwitz;
- Ensinar o Holocausto no Século XXI;
- Os Rapazes que Desafiaram Hitler;
- Aristides de Sousa Mendes — Memórias de um Neto — António Moncada S. Mendes.
Eis também sugestões de filmes:
- The Holocaust;
- I’m Still Here;
- A Lista de Schindler;
- O Pianista;
- O rapaz do Pijama às riscas.
A professora Bibliotecária
Paula Oliveira