CAPÍTULO V
O MODELO ORGANIZATIVO DO COLÉGIO INTERNATO DOS CARVALHOS

   

  34   A nossa escola presta um serviço de interesse público   

 

A transcendência da escola como um serviço à comunidade é muito grande; por isso os poderes públicos devem reconhecer eficazmente a sua acção e dotá-la com os meios adequados.

O Colégio Internato dos Carvalhos quer ser considerado como um serviço de interesse público, já que reúne as seguintes características:

  • resposta a uma opção educativa que a nossa realidade social reclama, de acordo com as liberdades fundamentais dos cidadãos reconhecidas na Constituição;
  • está aberto ao financiamento público de modo a poder garantir a gratuitidade da educação e a evitar toda a discriminação por motivos económicos ;
  • desempenha uma função de serviço a crianças, adultos e comunidade envolvente, e está aberto a todos os que desejem a educação que nela se ministra;
  • conta com uma equipa de professores e colaboradores que se comprometem a dar uma educação coerente e de qualidade a todos os alunos;
  • tem o apoio e o estímulo dos pais dos alunos, comprometidos com a opção educativa própria da escola;
  • promove a participação activa dos diversos elementos da Comunidade Educativa.

Características de um serviço educativo de interesse público

        

O Colégio Internato dos Carvalhos pretende pôr-se à disposição da sociedade como uma comunidade em que todos são aceites, em que todos podem dialogar, ouvir e ser ouvidos e em que todos os que a ela pertencem se sentem co-responsáveis.

Uma comunidade aberta e cordial

   

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A nossa escola insere-se no contexto da Região Norte e está ao serviço do País     

  

O Colégio Internato dos Carvalhos quer participar no processo que pretende salvaguardar a identidade de Portugal como um povo que tem uma cultura própria, uma língua e uns costumes e tradições próprios

Por isso,

  • reflecte os traços próprios de Portugal e da Região Norte e procura transmiti-los às novas gerações;
  • potencia os valores específicos da realidade portuguesa num clima de integração e abertura a todos os homens e culturas;

Colaboração na construção do País

        
  • insere a sua acção educativa no contexto sócio-cultural português através da defesa da língua, dos costumes e da cultura do País;
  • ajuda os alunos e suas famílias a conhecerem o meio em que vivem e a inserirem-se no mesmo;

Inserção no contexto sócio-cultural

        
  • procura que os alunos e famílias oriundos de outras regiões ou regressados do estrangeiro tenham a possibilidade de se integrarem nesta região sem renunciarem à sua própria cultura;
  • colabora na renovação do sistema educativo e no melhoramento da qualidade da educação em todas as escolas do País, pelas quais se sente responsável e solidária.

Integração dos que provêm de outras localidades

        

Esta inserção na realidade sócio-cultural do nosso País e o compromisso de serviço aos cidadãos são, também, expressão concreta da identidade cristã e da vocação evangelizadora da nossa escola.

Expressão da vocação evangelizadora

   

  36   A participação está em função da Comunidade Educativa   

  

Alunos, pais, professores, entidade titular e pessoal administrativo e de serviços desempenham, conjuntamente, uma missão que nos aglutina e que faz convergir os nossos esforços e ilusões: a formação integral dos alunos.

A consecução deste objectivo requer a colaboração de todos, em clima de aceitação e respeito mútuos, de serviço a uma causa comum e de corresponsabilidade.

Esta participação coordenada e co-responsável das diversas pessoas e grupos é fundamental para construir a nossa Comunidade Educativa.

Todos ao serviço de um objectivo comum

        

Três princípios básicos ajudam-nos a colocar esta participação no lugar que lhe corresponde:

  • o objectivo prioritário do nosso Colégio e o que justifica a sua existência e dá sentido à acção que realiza, é a formação integral dos alunos tal como está definida neste Projecto Educativo;
  • Todos os que estejam implicados nesta acção fazem parte integrante de uma Comunidade Educativa, na qual os interesses individuais cedem o lugar aos objectivos colectivos, e, em concreto, ao objectivo prioritário do Colégio;
  • Esta Comunidade Educativa é construída, dia a dia, e expressa-se e actua através de uma participação co-responsável.

Três princípios básicos

        

A participação abre horizontes à iniciativa dos alunos, pais e professores, e põe em jogo um conjunto de ilusões e energias que motivam e estimulam a acção educativa global do Colégio.

Uma participação enriquecedora

  

  37   Os critérios que inspiram a participação   

   

A complexidade da acção educativa escolar exige que todos os que nela intervêm o façam de uma maneira orgânica e concertada, já que os graus de responsabilidade, a capacidade e as possibilidades de dedicação são muito diferentes. Por isso diferenciam-se também os âmbitos e níveis de participação.

Diversidade dos agentes, âmbitos e níveis de participação

        

Os critérios que ajudam a determinar estes níveis e âmbitos de intervenção dos vários participantes na gestão do Colégio são os seguintes:

Cinco critérios fundamentais
        
  • A finalidade da escola. Tanto a composição dos órgãos colegiais, como as intervenções pessoais dos pais, professores e Instituição Titular, têm razão de ser em função do objectivo prioritário da escola: promover o crescimento e a maturidade dos alunos de acordo com o Projecto Educativo.

Finalidade da escola

        
  • Corresponsabilidade. Todos assumem o compromisso de colaborar com a Comunidade Educativa para levar a bom termo as decisões que se tomem e para aceitar as consequências que daí possam advir.

Corresponsabilidade

        
  • Subsidiariedade. Determina-se claramente o campo de acção e as competências dos diversos órgãos de governo unipessoais e colegiais, promove-se o exercício da responsabilidade que é própria de cada um, fazendo com que os órgãos superiores de governo respeitem as atribuições dos órgãos inferiores.

Subsidiariedade

        
  • Representatividade. Todos os membros da Comunidade Educativa podem intervir no processo que conduz à tomada das decisões que a todos afectam, e os que fazem parte dos órgãos executivos são eleitos pelo conjunto daqueles que representam.

Representatividade

        
  • Globalidade. Todas as acções e medidas devem ser tomadas e levadas a cabo numa perspectiva de conjunto, que conduza a uma convergência coerente na realização do projecto comum que congrega toda a Comunidade Educativa.

Globalidade

Estes critérios complementam-se mutuamente e ajudam na definição das competências e do grau de responsabilidade dos diversos órgãos de governo da escola.

  

  38   Uma gestão com base na corresponsabilidade   

 

A organização da vida académica do Colégio terá em conta a legislação em vigor.

Esta, por sua vez, reconhece à Instituição Titular, os Missionários Claretianos, o direito de poder estabelecer o Ideário Próprio do Colégio e de o dirigir com a colaboração de professores, alunos, pais de alunos e pessoal de administração e serviços.

Um modelo de gestão adaptado à escola

        

Estes princípios, juntamente com os critérios que inspiram a participação, ajudam a determinar o modelo de gestão mais adequado ao Colégio, isto é,

  • a composição, competências e normas de funcionamento dos órgãos colegiais: Direcção, Conselho de Escola, etc;
  • as funções que competem a cada um dos órgãos de governo singulares: Director, Subdirector, etc;
  • os critérios para a designação dos diversos membros dos cargos de responsabilidade: competência profissional, capacidade de compromisso, dedicação, etc;
  • e, em geral, os canais de participação de todos os membros da Comunidade Educativa.

A forma de gestão

        

O Regulamento Interno do Colégio recolhe o conjunto de normas, que regem o funcionamento do Colégio, e garante a adequada coordenação entre todos os elementos que constituem a Comunidade Educativa.

Este Regulamento, elaborado de acordo com os preceitos legais e com base no conteúdo deste Projecto, será aprovado pela Instituição Titular.

O nosso Regulamento Interno

  

  39   Os órgãos de governo e de gestão da escola   

 

Os órgãos de governo e de gestão do Colégio Internato dos Carvalhos são: 

A Entidade Titular é o órgão que define os objectivos do Colégio, o seu projecto educativo, a sua estrutura orgânica bem como o seu projecto científico, cultural e pedagógico, a forma de governo, gestão e organização que adopta e os demais aspectos fundamentais da sua organização e funcionamento. 

A Direcção é o órgão ordinário de governo da escola e tem como missão específica co-responsabilizar-se pelo funcionamento da mesma e pela dinamização de toda a acção educativa. 

O Conselho Pedagógico é o órgão de gestão nas áreas da orientação e coordenação científica e pedagógica e da formação do pessoal docente. 

Os Coordenadores Pedagógico-Disciplinares são a estrutura responsável directamente pela organização da vida académica e disciplinar de cada Núcleo assim como pelo desenvolvimento de medidas que reforcem a articulação interdisciplinar  na articulação dos planos de estudo. 

Os Tutores são os professores que promovem uma relação individualizada com a pessoa do aluno e com a turma no seu todo, na estrutura e dinâmica das suas atitudes, aptidões, conhecimentos e interesses. 

Os Coordenadores de Curso são professores responsáveis pelas áreas científica e tecnológica dos cursos secundários científico-tecnológicos ministrados no Colégio, assim como pelos estágios profissionais de aproximação à vida activa previstos nos currículos dos respectivos cursos. 

Os Delegados de Grupo são os responsáveis pela coordenação, aprovação e controlo da programação académica da sua área científica. 

O Gabinete de Psicologia e Orientação Vocacional (GOVCIC) é responsável pelo acompanhamento dos processos de aprendizagem e de maturação sócio-afectiva dos alunos do Colégio, e dos alunos que, em particular, precisem de  um acompanhamento personalizado para adquirirem e desenvolverem competências específicas. 

O Gabinete de Estágios e Emprego responsabiliza-se pelo acompanhamento dos jovens no acesso à vida activa, no final dos Cursos Científico-Tecnológicos. 

O Departamento de Animação Cristã (DAC) é responsável pela promoção de actividades onde os membros da comunidade educativa podem descobrir as suas qualidades e talentos e colocá-los ao serviço dos outros. 

O Gabinete de Comunicação e Eventos é o responsável pela organização de todas as actividades que impliquem os dois Núcleos. 

O Gabinete de Melhoria da Qualidade é o responsável por levar a cabo a melhoria de qualidade do Colégio com a colaboração de uma empresa certificadora da qualidade. 

O Chefe de Secretaria é o responsável máximo pelo arquivo documental do Colégio nos seus aspectos académicos e administrativos.

Órgãos de Governo e de Gestão da Escola

        

As competências que atribuímos a estes Conselhos exigem que todos os seus membros

  • assumam como próprios os objectivos do Colégio e se responsabilizem pelo cumprimento do seu Projecto Educativo;
  • tenham conhecimento da acção educativa global do Colégio e do conjunto de actividades formativas que promove;
  • tomem parte na reflexão e no trabalho que comporta a actualização permanente do Projecto Educativo e a projecção do Colégio em termos de futuro;
  • façam da sua presença e acção nos respectivos Conselhos um serviço generoso e solidário prestado a toda a Comunidade Educativa.

O bom resultado do governo e da gestão do Colégio depende da competência, da disponibilidade, da coerência e da capacidade de compromisso de todos e cada um dos seus membros.

Condições exigidas aos membros dos Conselhos de Governo e de Gestão da Escola

        

As características do Colégio Internato dos Carvalhos e o tipo de educação que pretendemos pôr à disposição da sociedade, fazem com que os critérios básicos do funcionamento dos Conselhos de Governo e de Gestão da Escola sejam estes três:

  • Dar prioridade aos interesses globais da Comunidade Educativa, subalternizando as conveniências individuais ou de grupo;
  • Considerar que as necessidades formativas dos alunos e a qualidade de educação são o eixo que dá sentido e coerência a todas as propostas e decisões;
  • Aceitar que o diálogo, a compreensão e o respeito são os caminhos habituais que conduzem aos consensos a que devem chegar os Conselhos de Governo e de Gestão da Escola.
Critérios de funcionamento
        

Desta maneira, a unanimidade de critérios e o consenso nas decisões tornam-se a expressão evidente da vontade de serviço prestado aos grandes ideais da educação.

Unidade de critérios