CAPÍTULO IV
O ESTILO DO COLÉGIO INTERNATO DOS CARVALHOS

  

  18   O Colégio Internato dos Carvalhos é uma Comunidade Educativa   

  

A acção educativa requer a colaboração coordenada de diversas pessoas. Portanto ninguém a pode realizar eficazmente, isolando-se dos outros e renunciando ao enriquecimento que advém do trabalho realizado em grupo.

A nossa concepção de educação cristã exige que o Colégio Internato dos Carvalhos funcione como uma autêntica Comunidade Educativa, isto é, que o conjunto de elementos que dela fazemos parte nos integremos harmoniosamente e ponhamos em comum ilusões, objectivos e realizações com base no projecto educativo.

Esta integração harmoniosa manifesta-se através de uma participação efectiva, e duma acção educativa coerente.

A riqueza do trabalho em grupo

        

A responsabilidade que assumimos ao fazermos parte da Comunidade Educativa obriga-nos a:

  • pôr em comum tudo o que sabemos e podemos realizar na acção educativa, e disponibilizar, com espírito de serviço, a nossa competência e as nossas mestrias;
  • reconhecer diferenças de idade, experiência, preparação e capacidade, respeitar estas diferenças e entregarmo-nos, sem reservas, ao trabalho;
  • esforçarmo-nos por construirmos uma comunidade viva na qual todos busquem o bem dos outros, porque no Colégio tudo é comum e tudo interessa a todos;
  • colocarmo-nos na posição de aprendizagem e de crescimento, aceitando que cada um pode aprender com os outros, que todos podem dar e que todos podem receber.

O que implica fazer-se parte de uma Comunidade Educativa

        

A construção de uma autêntica Comunidade Educativa é um objectivo que nunca atingiremos totalmente, mas é o ideal que buscamos e o compromisso que assumimos.

Na medida em que a nossa Comunidade Educativa for realmente cristã, os crentes sentir-se-ão acompanhados no testemunho e na vivência da sua fé, e poderão até aprender a viver como membros da grande comunidade que é a Igreja.

Um ideal e um compromisso

  

  19   A Instituição Titular garante o serviço educativo da escola   

  

A Província Portuguesa dos Missionários do Coração de Maria, como Instituição Titular, é responsável pela definição e pela continuidade dos princípios que inspiram o tipo de educação a ministrar, assim como pelos critérios de actuação que garantem a fidelidade da acção educativa a estes princípios.

O conjunto destes princípios e critérios de actuação constitui a identidade própria do Colégio, que inspira e dá coerência ao Projecto Educativo e ao Regulamento Interno do mesmo.

A identidade própria do centro

        

Para concretizar estes objectivos, a Instituição Titular, os Missionários Claretianos,

  • promove a acção educativa global da escola e assume a última responsabilidade perante a sociedade, os poderes públicos e o conjunto da Comunidade Educativa;
  • vela, de maneira particular, pela coesão dos que formam esta Comunidade e pela coerência e a qualidade da educação;
  • delega funções e estimula o exercício das diversas responsabilidades parciais delegadas nos órgãos de governo unipessoais e colectivos;
  • assume os direitos e deveres que dimanam das relações contratuais com o pessoal, com a intenção de possibilitar o serviço específico aos alunos, à escola, aos pais, ao pessoal colaborador e à sociedade;
  • fomenta aquele clima de liberdade e participação necessário para que todos os membros da Comunidade Educativa, e sobretudo os professores, possam dispor dos meios próprios para realizarem a missão, que lhes é confiada, de forma digna e co-responsável.

A Instituição Titular na escola

        

O serviço específico da Instituição Titular, os Missionários Claretianos, através dos seus representantes, e do apoio que dá ao trabalho dos professores, pais e pessoal de administração e serviços, faz com que todos possam considerar o Colégio como coisa própria, obra de todos e responsabilidade de todos, em suma, o "nosso" Colégio.

Animação e apoio da Comunidade Educativa

  

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  O aluno é o centro da Comunidade Educativa  

  

Na acção educativa claretiana partimos deste princípio básico: o aluno é o sujeito da própria formação. Portanto, tudo o que realizarmos na escola terá um objectivo bem definido: facultar ao aluno ocasiões para crescer e amadurecer em todos os aspectos da sua personalidade.

O aluno precisa de ajuda e acompanhamento no seu processo formativo, mas ele é o principal agente desse processo, o principal protagonista do seu próprio crescimento.

Este princípio determina o papel que corresponde ao aluno na dinâmica participativa do nosso Colégio. Em cada uma destas etapas, ele deve intervir activamente de acordo com as exigências próprias da idade, e assumir responsabilidades na proporção das suas capacidades.

Um princípio básico

        

As possibilidades de participação dos alunos na vida do Colégio são muitas e variadas:

  • Expressão de interesses e inquietações através da relação educativa com maior responsabilidade: directores e professores;
  • intercâmbio de pontos de vista com os educadores, não só sobre o andamento do próprio grupo-classe, ano ou turma, mas também sobre os problemas da sociedade;
  • assunção de responsabilidades na dinâmica própria da aula: aspectos materiais e pessoais, processos de aprendizagem, aspectos didácticos, etc;
  • organização de grupos com o objectivo de canalizar opiniões, promover actividades, propor consensos, tomar decisões, assumir compromissos, avaliar realizações, etc.;
  • participação directa em órgãos colegiais de modo a representar interesses, propor iniciativas, contrapor pareceres, colaborar na tomada de decisões, comparticipar nas responsabilidades, etc.

A participação dos alunos na escola

        

Os alunos devem ser iniciados na participação de modo a aprenderem a participar e a conseguirem a maturidade e a responsabilidade necessárias para enfrentarem, com espírito solidário, as situações e dificuldades de cada dia.

Uma participação formativa

   

  21   Os professores são os principais educadores dos alunos no Colégio   

   

O trabalho dos professores tem lugar no seio da Comunidade Educativa e eles constituem um pilar fundamental desta Comunidade.

A estrutura escolar põe os professores em contacto com um número especialmente grande e rico de pessoas: alunos, colegas de trabalho, pais de alunos, pessoal administrativo e auxiliar e instituição titular. Esta realidade fá-los assumir uma responsabilidade especial na construção e consolidação da Comunidade Educativa.

Um pilar fundamental da Comunidade Educativa

        

Os professores do nosso Colégio

  • são educadores, isto é, a sua acção educativa não se esgota na transmissão sistemática de uma série de conhecimentos;
  • estabelecem uma relação franca e de colaboração com os colegas, com os quais criam vínculos de solidariedade e comunicação que facilitam o trabalho em grupo e a coerência e a continuidade da acção que entre todos realizam;
  • desempenham um papel decisivo na vida da escola, porque estão directamente implicados e colaboram activamente na preparação, realização e avaliação do Projecto Educativo;
  • corresponsabilizam-se pela acção educativa global e intervêm activamente na gestão do Colégio através da sua participação nos órgãos de governo unipessoais e colegiais;
  • dão à sua tarefa educativa o sentido e a coerência que exige o Projecto Educativo do Colégio e o tipo de educação que este oferece, de acordo com a Instituição Titular e os pais dos alunos.

A acção formativa dos professores

        

O Colégio Internato dos Carvalhos dá prioridade à formação permanente dos professores como a pessoas e como a profissionais da educação, e esforça-se activamente para que todos atinjam o nível económico que merecem, juntamente com a devida estabilidade e segurança no trabalho.

Uma prioridade: a formação permanente

  

  22   O pessoal administrativo e de serviços presta uma valiosa colaboração   

  

A estrutura e o funcionamento do Colégio Internato dos Carvalhos implica certas actividades, que só podem ser realizadas, com eficácia, por aqueles que não estão directamente relacionados com a acção educativa. Estas pessoas desempenham funções diferentes, mas todas necessárias: a gestão económica, a secretaria académica, a assessoria psicopedagógica, a conservação dos edifícios, os equipamentos e meios didácticos, etc.

Funções diferentes,
mas necessárias

 

        

Este pessoal administrativo e de serviços constitui, pois, uma parte importante da Comunidade Educativa: ocupando lugares e assumindo responsabilidades aparentemente secundárias, presta uma valiosa colaboração à Instituição Titular, à Direcção, aos professores, aos alunos e às famílias.

De facto, este pilar está formado por pessoas que, segundo a missão que lhes é confiada,

  • colaboram, de maneira solidária, na marcha do Colégio e comprometem-se com a acção educativa que aí se realiza;
  • complementam o trabalho educativo dos professores como psicólogos, reeducadores, monitores, etc.;
  • assumem as funções correspondentes à gestão económica e velam pela correcta administração dos bens próprios da escola;
  • realizam os trabalhos de secretaria e colaboram com a Direcção, os coordenadores e professores no exercício das respectivas responsabilidades;
  • contribuem para manter o Colégio em condições para que todos os membros da Comunidade Educativa se possam sentir bem e levar a bom termo as tarefas que lhes são confiadas;
  • participam na gestão do Colégio através do Conselho de Escola e, portanto, corresponsabilizam-se pela acção educativa global da escola.

Um pilar da Comunidade Educativa

        

Com todos os outros elementos da Comunidade Educativa, o pessoal administrativo e de serviços pode participar em tudo o que a escola é e em tudo o que a escola oferece, já que tudo é possível porque todos aportam iniciativas, ilusões e trabalhos segundo as suas respectivas competências e responsabilidades.

A escola é obra de todos

  

  23   Os pais participam activamente na vida do Colégio   

  

Os pais são os principais responsáveis pela educação dos seus filhos, e muitos desejam que a educação iniciada na família tenha continuidade na escola. Por isso optaram pelo nosso Colégio, por acharem que ele dá continuidade à sua acção educativa.

Os pais cristãos que confiaram os seus filhos ao nosso Colégio, optando pela sua identidade, têm uma responsabilidade peculiar. O Colégio necessita, de uma maneira muito especial, da sua ajuda e colaboração, e devem velar para que se mantenha e actualize constantemente o tipo de educação que a escola se comprometeu a oferecer à sociedade.

A continuidade da acção educativa

        

As famílias, que, por ventura, não tenham podido fazer uso da sua liberdade ou que tenham recorrido ao nosso Colégio por razões alheias ao seu Projecto Educativo, saibam que, pelo facto deste Colégio ser cristão, ele tem de respeitar o pluralismo e de acolher todos os alunos sem distinção.

Os alunos e seus pais devem conhecer, de forma suficiente, o tipo de educação que a escola claretiana ministra para poderem colaborar eficazmente na sua realização. Se algum não aceitar este tipo de educação, há-de prestar-lhe, pelo menos, o devido respeito, porque esta foi a opção positiva por parte de muitas famílias.

Acolhimento e respeito mútuo

        

A Associação de Pais é o canal normal de participação dos pais dos alunos no nosso Colégio, e como tal

  • adequa os meios necessários para poder garantir em cada momento uma eficaz colaboração na vida da escola;
  • promove e organiza actividades educativas complementares e extra-escolares com a intenção de ajudar a formação integral dos alunos;
  • recolhe, representa e defende os interesses do conjunto das famílias que constituem a Comunidade Educativa;
  • canaliza a sua participação co-responsável para os diversos órgãos colegiais da escola.

A Associação de Pais

        

A Escola de Pais fomenta a formação permanente dos pais dos alunos como educadores dos próprios filhos, e prepara-os para assumirem responsabilidades na Associação e representarem os seus colegas nos órgãos de gestão do Colégio. Assim participam de forma co-responsável na gestão global da escola.

A Escola de Pais

 

  24   A relação entre a família e o Colégio enriquece a Comunidade Educativa  

 

A concepção do Colégio Internato dos Carvalhos como sendo um complemento da família faz com que se estabeleça uma relação fecunda entre o Colégio e a família através do intercâmbio e da cooperação entre os pais e os educadores com o objectivo de se conseguir uma acção educativa coerente.

O objectivo da relação família-escola

        

O ambiente familiar desempenha um papel essencial na determinação das atitudes e dos valores que os filhos vão interiorizando nos primeiros anos do seu crescimento.

Quando este ambiente reúne as condições adequadas, os filhos encontram ali a segurança e a confiança que necessitam para iniciarem a sua experiência de liberdade, dão os primeiros passos nas relações sociais e afectivas e aprendem a respeitar os outros, a aceitar as diferenças e a colaborar com os seus colegas.

Por isso, a acção educativa escolar requer uma intensa relação entre os pais e os educadores.

Importância do ambiente familiar

        

No nosso Colégio, queremos desenvolver esta relação, para que

  • os filhos-alunos possam receber uma proposta educativa coerente e que garanta a continuidade da acção formativa iniciada no lar;
  • os educadores tenham ocasião de completar o conhecimento que têm dos alunos e possam reforçar, assim, as suas possibilidades de ajuda e orientação;
  • os pais recebam a informação necessária sobre o progresso ou dificuldades dos seus filhos no desempenho escolar e estejam em condições de dar aos educadores o suporte que necessitam na sua acção formativa;
  • a acção educativa escolar seja uma ajuda e um estímulo no trabalho formativo que os pais realizam com os filhos.

Possibilidades do diálogo pais-educadores

        

Esta cooperação mútua deverá fundamentar-se numa relação constante entre pais, tutores, professores e direcção do Colégio. Esta relação dá fecundidade e coerência à acção educativa e contribui para se atingir um bom nível de qualidade na formação integral dos alunos.

Uma relação constante

 

  25   Orientamos os alunos no seu trabalho educativo   

 

Toda a educação é um processo de estímulo e de ajuda no crescimento do aluno, que deverá descobrir as suas aptidões e limitações e deverá aprender gradualmente a autogovernar-se e a desenvolver as suas capacidades. Este estímulo e esta ajuda terão de ser personalizados, isto é, acomodados às necessidades de cada aluno, tendo em conta o meio do qual ele faz parte.

A personalização implica igualmente a humanização da vida de relação, já que o aluno não é um ser isolado, mas, sim, um ser aberto aos outros e criado para participar na vida comunitária.

Uma resposta às necessidades de cada aluno

        

O Colégio Internato dos Carvalhos pretende orientar o aluno no seu trabalho formativo de acordo com estes princípios. Portanto, na medida das suas possibilidades,

  • partilha da situação real de cada aluno e do conhecimento do seu meio familiar e social;
  • descobre as necessidades específicas de cada aluno e as suas possibilidades de crescimento e maturação, através do oportuno diagnóstico educativo;
  • elabora um programa de orientação que o ajudará a superar as dificuldades e a despoletar todas as suas capacidades;
  • desenvolve o interesse pelo trabalho individual e motiva o esforço constante que ajuda o aluno a avançar no seu processo de aprendizagem;
  • fomenta a dimensão social do processo educativo, e apoia o trabalho em grupo e, através dele, a cooperação e a solidariedade;
  • ajuda os alunos na compreensão e aceitação da sexualidade, e no reconhecimento da importância desta na formação da própria personalidade;
  • põe ao seu dispor os serviços psicopedagógicos necessários para a sua orientação vocacional e profissional.

Aspectos básicos da personalização

        

A personalização do ensino e da educação exige dos tutores e professores uma boa preparação prévia, e a adopção de atitudes e métodos pedagógicos que estimulem e orientem o trabalho dos alunos e os ajudem a avaliar os resultados. Para a realização deste objectivo, é necessário que o número de alunos permita uma atenção individualizada e que os professores e tutores disponham dos meios necessários e da dedicação suficiente.

Educadores: preparação e atitudes adequadas

  

  26   Promovemos a descoberta de valores e a formação de atitudes   

  

No Colégio Internato dos Carvalhos levamos muito a sério a educação para os valores, e propomo-nos orientar os alunos na sua realização pessoal, de maneira que possam aprofundar o sentido da sua identidade, como pessoas e como membros de uma comunidade.

Procuramos, também, com a nossa acção educativa, pôr em relevo a formação de atitudes, como sendo um aspecto básico da formação integral.

Para isso, partimos do facto da educação para os valores se realizar fundamentalmente através da vivência de atitudes, uma vez que ela tem de reflectir coerência entre o que se deve fazer e o que se faz, se queremos criar um clima propício para a educação.

Aprofundar
o sentido
da identidade

 

        

Queremos, pois, que os alunos não só aprendam a pensar e a fazer, mas também que aprendam a ser e a partilhar. E, dado que isto decorre do facto dos comportamentos, valores e atitudes não se poderem impor, mas de terem de ser descobertos e assumidos por cada pessoa, grupo, comunidade e povo,

  • propomos aos alunos situações concretas que os ajudem a preparar-se para saberem tomar opções com liberdade e responsabilidade;
  • motivamo-los para a aquisição e maturação de critérios de valor adequadamente estruturados que pautem a sua conduta;
  • damos importância à descoberta e assunção dos valores que os ligam a um grupo humano que os leve a partilhar a sua autenticidade com o resto dos homens;
  • pretendemos que todo o desempenho docente e educativo do Colégio, a programação, a metodologia, as relações interpessoais e a própria organização do Colégio se inspirem numa proposta coerente de valores e expressem uma profunda vivência de atitudes através da sua dinâmica e funcionamento.

Aprender a ser e a partilhar

        

Desta maneira, entre todos, procuramos criar um clima que, por ele mesmo, seja educativo, pois exprime convicções e aponta para o compromisso.

Procurar um clima educativo

  

  27   Adoptamos uma metodologia didáctica aberta e flexível   

  

A educação humanista que nos propomos oferecer aos nossos alunos implica uma metodologia didáctica consequente com os objectivos que pretendemos na formação do homem.

Como realizar o Projecto Educativo

De facto, a metodologia usada na acção educativa Colégio tem uma incidência muito significativa no desenvolvimento da personalidade, na autorrealização e na autonomia do ser e do aprender, assim como no sentido de cooperação e solidariedade.

Por isso, o Projecto Educativo do Colégio exige a concretização de uma metodologia aberta e flexível que seja capaz de integrar em cada momento os avanços pedagógicos para se manter em constante actualização.

        

Na definição e realização desta metodologia procuramos ter em conta os seguintes aspectos:

  • adaptação às possibilidades reais do Colégio e às necessidades dos alunos, respeitando sempre todas as disposições legais vigentes;
  • ensino personalizado como resposta às necessidades de crescimento e maturação de cada aluno;
  • implemento da actividade dos alunos, individualmente e em grupo, com a intenção de apoiar a máxima autorrealização;
  • estudo dos resultados da investigação educativa e análise das possibilidades da sua aplicação à nossa realidade;
  • realização de experiências de inovação pedagógica em colaboração com outras escolas de características semelhantes;
  • avaliação constante das inovações didácticas e de organização para aferir o grau da sua incidência no melhoramento da qualidade do ensino e da educação.

Alguns aspectos práticos

        

Por tudo isto, levamos à prática e aprofundamos, continuamente, o impacto de alguns destes aspectos e a incidência que eles têm na acção educativa da nossa escola.

Um aprofundamento necessário

 

  28.   Damos atenção ao âmbito cognoscitivo e fomentamos o desenvolvimento intelectual   

 

Grande parte do trabalho que realizamos no Colégio Internato dos Carvalhos está orientado para o enriquecimento do âmbito cognoscitivo do aluno, tendo em conta o aperfeiçoamento total da sua personalidade.

Inquietação pela busca da verdade

Ao suscitarmos nos alunos a inquietação pela busca da verdade, estamos a abrir-lhes o acesso ao saber e a desenvolver-lhes o grau de interpretação e valorização da realidade, a sua inserção crítica no contexto sócio-cultural, e o seu ingresso no mundo do trabalho.

Com este critério, damos a devida importância ao trabalho intelectual para que cada aluno possa desenvolver ao máximo as suas capacidades.

        

Para atingir este objectivo,

  • procuramos que as propostas de aprendizagem correspondam aos interesses dos alunos e estejam em conexão com as suas experiências pessoais;
  • pretendemos dar resposta às questões e problemas que se apresentam, permitindo o enriquecimento progressivo e evolutivo das suas estruturas intelectuais;
  • desenvolvemos o seu espírito crítico para que saibam defender, conscientes e responsáveis, as suas ideias;
  • entendemos que a acumulação de dados sem sentido, a visão estática dos conhecimentos e a parcelamento do saber, dificultam mais do que facilitam o processo do desenvolvimento intelectual;
  • fomentamos a aprendizagem de técnicas de estudo e o desenvolvimento daquelas capacidades que preparam os alunos para o acesso ao saber ao longo de toda a sua vida.

Critérios de actuação

        

A programação e realização da acção docente dos professores, e o trabalho de aprendizagem dos alunos ocupam um lugar cimeiro na acção educativa global, dado que o Colégio Internato dos Carvalhos pretende educar, sobretudo, através da aquisição e assimilação crítica da cultura.

Um aspecto decisivo da educação

  

  29   Apoiamos a educação através do movimento   

  

O aluno é um sujeito activo, e o seu corpo dispõe de múltiplas possibilidades de movimento e de expressão que têm de ser adequadamente testadas no seu processo de crescimento e de maturidade.

Um aspecto básico da formação integral

No Colégio Internato dos Carvalhos, a educação através do movimento não é considerada como um facto isolado, mas antes como um aspecto básico da acção educativa global.

De facto, a formação da dimensão bio-psicológica da pessoa engloba o desenvolvimento das suas possibilidades fisicomotoras e psicomotoras. Sem este desenvolvimento, a formação integral da pessoa não é possível.

        

Com a educação através do movimento, propomo-nos alcançar os seguintes objectivos:

  • desenvolver a capacidade de expressão e de comunicação, ajudando os alunos a experimentar emoções e sentimentos;
  • fomentar a maturidade psicomotora e o desenvolvimento fisicomotor;
  • melhorar a qualidade da saúde e possibilitar a integração do jovem no meio natural;
  • desenvolver a criatividade através do movimento e descobrir o prazer que a experiência do movimento é capaz de provocar;
  • desenvolver a relação de cooperação e compreensão para com os outros e realçar os aspectos enriquecedores da convivência.

Objectivos concretos

        

O espaço escolar permite uma ampla listagem de actividades que podem ser programadas e realizadas com esta finalidade. Entre outras, recordamos o jogo, a psicomotricidade, a expressão corporal, a ginástica, a dança, a iniciação desportiva e as actividades ao ar livre.

Uma ampla listagem de actividades

  

  30.   Colaboramos na actividade dos alunos e promovemos a prática das suas destrezas e habilidades   

    

O aluno é o principal protagonista do seu processo de aprendizagem e maturidade. Desde os primeiros anos, tem capacidades próprias que ele mesmo há-de exercitar sem que alguém o possa substituir.

Em concreto, a aprendizagem comporta duas actividades: uma interna por parte de quem aprende, o saber acerca das coisas, e outra externa, a prática de destrezas, habilidades e técnicas, que introduzem o aluno na área do saber fazer.

O aluno tem de exercitar as suas próprias capacidades

        

Por este motivo, adoptamos um método de trabalho que

  • dá especial importância ao desenvolvimento da inteligência através do recurso a técnicas apropriadas de estudo e de trabalho, e promove o adequado exercício e desenvolvimento da memória;
  • suscita e estimula a actividade, a descoberta de capacidades e a prática de destrezas na área da investigação, da arte e do lazer;
  • desenvolve a capacidade de expressão e comunicação na linguagem própria dos alunos;
  • promove uma aprendizagem baseada no interesse e motivação constante, sem excluir o esforço pessoal no trabalho individual e em grupo;
  • fomenta a iniciativa e a espontaneidade dos alunos;
  • ajuda-os a compreenderem e a aceitarem as regras do jogo do trabalho em comum, isto é, o respeito, a ordem e a autodisciplina;
  • fomenta a autonomia no trabalho e a autoavaliação.

Um trabalho coerente com este princípio

        

Estes critérios têm aplicações diversas segundo a idade e a preparação dos alunos: nos primeiros níveis, a observação, a exploração e a manipulação de objectos concretos; mais adiante, a investigação, a experimentação e as relações interdisciplinares; e sempre, o trabalho individual e em grupo e a autoavaliação de todo o processo e do trabalho realizado com a orientação dos professores.

Os professores programam e realizam o próprio trabalho como educadores com vista à motivação e orientação constante das actividades educativas dos alunos.

A acção orientadora dos professores

    

  31   Projectamos a educação para além da aula e do horário lectivo   

   

A nossa proposta para a formação integral implica uma concepção de escola que vai mais além do que permite o horário escolar, e ajuda os alunos a abrirem-se a um mundo de dimensões cada vez mais amplas.

Esta concepção de escola inclui critérios educativos que têm a sua aplicação numa ampla gama de serviços e actividades que, por sua vez, dão resposta a um conjunto muito variado de interesses e capacidades dos membros da Comunidade Educativa.

Uma exigência de formação integral

        

De acordo com estes critérios, pretendemos que o nosso Colégio se torne num centro de promoção cultural e social para a região, e procuramos

  • estabelecer um diálogo construtivo com as outras instâncias educativas da sociedade (escola paralela);
  • desenvolver todas aquelas actividades escolares e extra-escolares que promovam a educação nos tempos livres e estimulem interesses e afeições segundo a idade de cada aluno;
  • promover a criação de grupos de formação, a organização de jornadas e actividades culturais, a participação da escola em concursos literários e artísticos, a colaboração em obras e serviços de promoção social, etc.;
  • preparar os alunos para o acesso ao mundo do trabalho através da orientação escolar e profissional e de outras iniciativas: bolsa de trabalho, reciclagem, relação escola-empresa, etc.;
  • dar resposta às inquietações sociais, religiosas e pastorais dos professores, das famílias e dos alunos crentes através de serviços de catequese, convívios formativos, relação com movimentos e associações locais, paroquiais e diocesanas, etc.;
  • colaborar nas actividades que sejam promovidas por outras instituições educativas da zona e que possam complementar a acção formativa escolar.

Diversidade de iniciativas

        

Para a realização de todas estas actividades, o Colégio pode contar com a ajuda especial da Instituição Titular e da Associação de Pais, com a colaboração da equipa de professores e com a iniciativa e a dedicação dos próprios alunos.

Um compromisso de toda a Comunidade Educativa

   

  32   Pomos os avanços tecnológicos ao serviço da educação   

   

Preparamos os alunos para a vida, ensinando-os a escolherem e a compreenderem as novas formas de expressão, que se vão tornando habituais na nossa sociedade, e a fazerem uso da tecnologia que caracteriza os novos meios de comunicação, como sendo mais um recurso ao serviço da promoção pessoal e da construção da sociedade.

De acordo com as possibilidades que o Projecto Educativo do Colégio nos proporciona, vamos enriquecendo gradualmente a equipa didáctica com a incorporação de novos meios que possibilitem a aprendizagem e o uso da tecnologia mais apropriada à educação.

Uma resposta ao repto da sociedade

        

Seguindo estes critérios,

  • estimulamos o uso do material didáctico como sendo um complemento e ajuda à acção docente;
  • ajudamos os alunos a escolher e a experimentar a informação que os meios de comunicação põem ao seu dispor através da palavra e da imagem;
  • preparamos os alunos para compreenderem e usarem correctamente as novas formas de comunicação;
  • pomos os avanços tecnológicos ao serviço da acção docente como sendo mais um serviço ao ensino personalizado e uma ajuda à criatividade e à investigação educativa;
  • fomentamos o uso destes meios como sendo canais de expressão e apoiamos a relação e o intercâmbio de experiências com as outras escolas.

Acções concretas

        

Para financiar estes meios pedagógicos, esperamos que o Colégio, considerado como um serviço público e aberto a todos, receba o adequado suporte financeiro da Administração Educativa, para que possa oferecer um ensino de qualidade e colaborar eficazmente com as outras escolas na renovação do sistema escolar do País.

Suporte financeiro da Administração Educativa

  

  33   Temos o nosso processo de autoavaliação   

  

Consideramos a avaliação como um processo contínuo que nos indica se estamos a avançar na direcção correcta e se o estamos a fazer ao ritmo previsto.

Um processo de avaliação adaptado à realidade da nossa escola permite-nos verificar o grau de qualidade da acção educativa e a adequação da nossa pedagogia aos interesses e necessidades dos alunos.

Uma autoavaliação contínua
        

Este processo é aplicável aos diversos campos da vida da escola e aos diversos momentos do processo educativo, e inclui os seguintes aspectos ou fases:

  • a exploração inicial (avaliação de diagnóstico), que nos indica a realidade da qual partimos e nos leva a conhecer as necessidades dos alunos e da escola na área em que se está a processar a revisão;
  • a realização dos objectivos que nos propomos em cada momento determinado;
  • a identificação das diversas alternativas que nos podem ajudar a alcançar o objectivo desejado;
  • a selecção dos meios, métodos, estratégias e actividades que nos podem fazer avançar de maneira mais segura e mais rápida de acordo com as necessidades;
  • a verificação experimental do caminho escolhido e das dificuldades que vão surgindo.

Fases do processo de autoavaliação

        

Todos os aspectos e dimensões da escola e do processo educativo são, num momento ou noutro, objecto de avaliação: o plano de estudos, o trabalho docente, o programa educativo, a organização escolar, os órgãos participativos, assim como os diversos âmbitos do crescimento e maturidade dos alunos, isto é, os aspectos cognitivos, afectivos, sociais, etc.

A aplicação do processo de avaliação deve ser um estímulo e uma orientação constante, que nos hão-de conduzir ao melhoramento da acção educativa do nosso Colégio.

O conteúdo da avaliação