Colégio Internato dos Carvalhos  
  sexta-feira, 16 de novembro de 2018 - 17:40   
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6ªS JORNADAS PSICOPEDAGÓGICAS DE GAIA “DISCIPLINA NA ESCOLA E NA FAMÍLIA”

Resumo

Na sessão de abertura destas Jornadas, o Sr. P.e João de Freitas, Presidente da Comissão Organizadora, alicerçado no saber secular e sempre actual de Platão, pôs no ar a saudável “provocação” de considerar o estado da educação e o papel da escola em preocupante crise. Mas, em vez de fazer da escola e dos seus servidores a causa de todos os insucessos e indisciplina distribuiu as culpas igualmente e sensatamente pela família. Neste particular, é bom escutar vozes livres e desassombradas que gritam : “o rei vai nu”. Com efeito, muita gente, nas escolas, por comodismo e muitas famílias, por egoísmo, demitem-se aligeiradamente dos seus deveres e responsabilidades. Em boa verdade, numa educação escolar que se quer forte, sadia, feita em liberdade, os professores são colaboradores indispensáveis dos pais, mas, só isso. Não custa, pois, aceitar que o conceito de disciplina, sua prática e respeito pelos outros se ensaiam no clima familiar, onde a cultura do facilitismo e da educação mole não têm espaço. A escola virá, então, avalizar o caminho que passa pela profunda informação, pela convivência, pela tolerância, entre-ajuda, democracia, rumo a valores que estão sempre mais altos e mais longe a acenar ao Homem inquieto e livre.

O Sr. P.e José Maia, Presidente da Direcção do Colégio dos Carvalhos, tomando a palavra sublinhou a oportunidade destas Jornadas que levarão a uma mais funda tomada de consciência, sobre os ventos da violência e da anarquia, que sopram agressivamente sobre escolas e famílias. Não convém, por isso, perder a noção do inesperado de factores de vária ordem que anulam, muitas das vezes, de forma imprevista os planos concebidos e tidos como solução. Caso contrário, cairemos na situação daquele que tendo perspectivado seis princípios para educar o seu primeiro e futuro filho, se viu diante da atónita realidade de ter seis filhos e nenhum princípio.

De seguida, o Dr. Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, numa análise de fino pedagogo, reconheceu os problemas que afectam a escola e a família. Mas olhando mais acima, referiu de forma corajosa a debilidade da organização política do Estado. Falou da gritante falta de assumpção de responsabilidades da parte de muitos que, confortavelmente instalados em cargos públicos, se divorciaram, há muito, de quem os elege e sustenta. A inversão de valores, disse, predomina à rédea solta indiferente à imagem que dá aos jovens numa altura das suas vidas em que eles, dificilmente, se dão conta do clima perverso do mundo. Organização política do Estado, Escola e Família têm de reconhecer que a maior riqueza do País está nos recursos humanos. Urge, portanto, estabelecer um clima de ordem democraticamente aceite. Sinais de violência menores, delitos aparentemente insignificantes, devem e têm de ser, desassombradamente, punidos em benefício de todos e, de modo especial, em prol desses mesmos violentos e prevaricadores.

O Prof. Dr. Nicolau Raposo trouxe à reflexão dos participantes o problema da (in)disciplina na escola, apoiado numa análise psico-sócio-educativa. No seu entender, a qualidade do ensino exige disciplina da turma, o que, em bom princípio, deveria semr verdade adquirida em vivência democrática. Reconhece, no entanto, haver factores que concorrem fortemente para a perturbação do clima de trabalho, tais como: massificação do ensino, diferentes estatutos económico-culturais, transferências de responsabilidades e outros. Assim, o problema da complexidade da disciplina na aula há-de encarar-se pela tríplice via de acesso: a sociológica, a psicológica e a educativa, concorrendo cada uma delas com dados susceptíveis de melhorar a situação.

No plano familiar, os Drs. Segismundo Pinto e Antonieta Cabral, assim como o Sr. Maximino Gonçalves, representante da Escola de Pais Nacional, puseram a tónica das suas intervenções no fenómeno da transformação da família. As áreas referidas foram as da relação conjugal, a da permissividade da educação parental e a da demissão da função educadora de pais. Estes trocam a missão de educar pelo acompanhamento, pela de educar pela imposição ou laxismo, o que conduz a um autoritarismo prejudicial. Impõe-se, portanto, uma séria formação parental que leve ao fim dos pais biológicos, sem códigos de valores, em favor dos pais preocupados, interessados, companheiros, verdadeiros educadores, motores fundamentais da interacção pais/filhos.

O Prof. Dr. José Augusto Rebelo abordando a temática “Implicações da disciplina na aprendizagem”, começou por distinguir entre aprendizagem informal, aquela que adquirimos no dia a dia, e a aprendizagem formal ou escolar. Esta, que implica a verdadeira disciplina na escola, na família e até na sociedade, caracteriza-se por um comportamento adequado à situação ou actividade que se está a desenvolver. Será sempre o resultado ou a manifestação de orientação ou regulação do comportamento, impondo-se regras de auto-regulação, sabendo como e quando agir, responder, participar, ouvir e compreender. Para se atingir tais desideratos, há necessidade de co-responsabilizar pais, professores e alunos, melhorar a comunicação professor/aluno, estreitar os laços de colaboração entre pais e professores e promover a crescente actividade dos alunos intra e extra sala de aula. Para uma escola dita de qualidade concorrem alguns princípios, entre os quais se salientam métodos de ensino interactivo e participativo, expectativas elevadas em relação aos alunos, normas claras contra a violência e transgressões e uma boa organização da escola.

Nas comunicações livres salientaram-se tópicos, que constituem o resultado de trabalhos de investigação, e que se direccionam no sentido de encontrar resposta para todos quantos se sentem frustrados, os que poderiam ser .... e não são. A consciência de que no processo educativo, ao lado das frias competências é urgente o amor, que conduz à aceitação e não à rejeição. A necessidade de espaços (bibliotecas, ludotecas, salas de convívio) e acções (actividades de lazer) adequados à formação para a cidadania.

No segundo dia das Jornadas, o Prof. Dr. Feliciano Veiga, a propósito da violência e indisciplina na escola, salientou a necessidade de se responsabilizar aquele que comete o erro, a fim de que ele tome consciência, assuma responsabilidades e se auto- corrija. Acentuou a tónica na premência de se estabelecer um forte relacionamento interpessoal, professor/aluno, de forma a evitar-se actos de indisciplina. Quatro tipos preocupantes de figuras de aluno/problema, mereceram uma atenção especial: o exibicionista, o mandão, o vingativo e o que se auto-intitula incapaz, sendo este o tipo mais preocupante, pois já é um desistente antes de começar qualquer tarefa.

A Profª Drª Teresa Estrela, na sua conferência , salientou que a disciplina não pode ser entendida, nunca, como uma submissão a uma autoridade exterior coerciva, mas sempre como submissão a uma autoridade interior, conscientemente consentida. Este conceito tem de ser interiorizado por toda a escola. Sugeriu que mais importante do que remediar será prevenir situações que possam conduzir à indisciplina. Salientou a necessidade de existir prevenção ao nível do aluno, da turma, da escola enquanto tal e na sua relação com a família – tudo isto bem apoiado num sentido de responsabilidade. Tendo a disciplina uma relação intrínseca com o crescimento da pessoa humana, é indispensável a existência de modelos de autoridade como garante dos Valores Universais.

A concluir estas Jornadas, intervieram os Professores Doutores Carlos Fernandes da Silva e Anabela Sousa Pereira, que, de uma forma viva e cativante, se ocuparam dos incidentes críticos na sala de aula e consequente análise comportamental aplicada. Começaram por evidenciar a aceitação de um incorformismo rebelde, mas disciplinado dos alunos, como consequência da existência de incidentes críticos, mas não de crianças indisciplinadas. Torna-se, por isso, necessário que o docente seja o líder de uma tarefa de grupo que persegue objectivos previamente definidos, onde cada um dos alunos constitui peça fundamental, não devendo anular-se as respectivas capacidades criativas. A noção de equilíbrio, até no disparate, tem de existir, desde que desencadeie o exercício da reflexão. Referindo-se, por último, à lei do comportamento humano na teoria de Skinner, reflectiram sobre os conceitos de reforço e punição.

Fazemos votos para que as reflexões aqui trazidas possam servir para que os agentes implicados no processo educativo (família, escola, professores, Poder instituído) possam todos em conjunto contribuir para minimizar e, se possível, erradicar a problemática da indisciplina da nossa sociedade.


Palavras - Chave:

Artigo do Volume VI Nº 1 - Maio de 2002

 

 
     

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