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VOLUME I
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Volume XIII, Nº 2
Dezembro de 2009 |
EDITORIAL
João de Freitas Ferreira
Neste número da revista Psicologia, Educação e Cultura, publicam-se dez artigos. Embora não seja um número temático, há trabalhos que abordam temas afins, aplicando a novas situações conceitos já consagrados.
Este facto permitiu-nos estabelecer alguma lógica na ordenação dos artigos. Os quatro primeiros andam mais no âmbito da Psicologia, os restantes abordam temas de Pedagogia. Uns são de natureza empírica e outros teóricos. Todos os temas são actuais e de grande impacto na sociedade moderna. São originais e respeitam as normas comummente aceites pela comunidade científica.
1. O primeiro estudo aborda o tema da memória adaptativa, utilizando conceitos já aferidos na psicologia evolutiva e aplicados com sucesso em adultos jovens. Centra a sua atenção na “validação de provas de memória e de inventários de avaliação funcional e da qualidade de vida” de “adultos idosos saudáveis” mas com problemas de amnésia. O segundo tema é mais empírico e chama a atenção para “a importância da personalidade na prevenção e segurança rodoviária”. Trata-se de um tema oportuno e urgente, dada a grande sinistralidade rodoviária em Portugal. O terceiro estudo aborda o tema da aculturação psicológica e sociocultural dos filhos de imigrantes de origem indiana (e não só) radicados em Portugal, focando os problemas de adaptação à escola, ao trabalho, à integração social e à reforma. É um tema actual que compete ao Estado resolver, mas que passa necessariamente pela sociedade civil e não pode ser ignorado pela comunidade académica. No quarto estudo, o autor parte da Psicologia Positiva para estudar pontos concretos do comportamento humano. Neste caso, a “coragem”. Tratase de uma área pouco estudada pelos especialistas, mas a merecer a atenção dos psicólogos e dos educadores de jovens que ainda se encontrem em fase inicial de maturação. A falta de coragem leva os jovens a deixar cair os braços e a considerar-se incapazes de lutar pela vida, optando pelos caminhos da droga ou até do suicídio. Na falta de bibliografia e de estudosde investigação sobre o tema, o autor pretende definir conceitos e carrear elementos importantes “para desenvolvimentos posteriores” e para fixação de “uma pedagogia da coragem”. É um assunto a merecer futuras abordagens
científicas.
2. Seguem-se seis artigos mais no âmbito da área da pedagogia, sendo a maior parte deles de índole empírica. Os três primeiros analisam fenómenos negativos ou positivos que dificultam ou promovem, respectivamente, o aproveitamento dos alunos. O quinto artigo aborda a violência na escola, aprofunda a relação professor-aluno, propõe a intensificação de formação permanente dos professores e a criação de laboratórios de comunicação para toda a comunidade educativa. O artigo sexto analisa a importância nefasta que a transgressão das regras escolares (comportamentos disruptivos) exerce sobre “o rendimento académico dos alunos”. Para tal os autores deste artigo recorreram ao “método de equações estruturais”. O artigo sétimo trata o mesmo tema, mas, pela positiva, realçando “ a importância das relações afectivas nos contextos escolar e familiar”. Os seus autores estudam casos concretos em que as boas relações afectivas entre pais, professores e alunos levaram estes a obterem resultados relevantes. A autora do artigo oitavo busca um novo tipo de “Avaliação de Competências em Educação de Infância”, que seja eficaz e rigoroso. Para isso constrói um “Questionário de Competências pessoais e profissionais que aplica a estudantes do ensino superior e a Educadores de Infância, pertencendo os primeiros a um grupo em formação, logo sem experiência profissional, e os segundos fazendo parte de um grupo com média ou vasta experiência. Naturalmente que os resultados tinham que ser díspares. Mas a conclusão está correcta: a Formação em Educação tem de ser prática e deve preocupar-se, fundamentalmente, com o desenvolvimento de competências dos jovens em formação.
Os autores do artigo nono reflectem sobre o fenómeno da grupalidade “como um dos aspectos fundamentais para a constituição identitária docente”. Na verdade, a identidade do professor forja-se na escola e, precisamente, no contacto diário dos novos professores com os mais experientes. Estes devem ser os tutores dos mais novos. São eles que têm “o saber de experiências feito”. Não são “cotas”, são mestres para os mais novos. Estudos como este fazem falta nos tempos que correm, em que os mais experientes se reformam extemporaneamente e os mais novos ficam com as escolas nas mãos sem terem ainda a sua identidade profissional devidamente definida, pois esta só se consegue na “sua interacção com os colegas”.
No artigo décimo, os autores atacam um problema importante da investigação educativa e da sua metodologia. Eles interrogam-se: ”Por que razão quase sempre se relaciona a Investigação-acção com escola, professores, estudantes (…) ? “ Investigar para agir, investigar e agir, ou investigar agindo”? “Será que (…) as teorias nascem para explicar as práticas, ou, pelo contrário, as práticas adquirem a suprema capacidade de gerar teorias” ? A acção educativa não se limita apenas ao ensino de matérias e programas devidamente estruturados, mas, por inerência, deve estender a sua actividade à investigação. Não tanto à investigação científica, mas sim à investigação aplicada. A escola é um espaço de sonhos, de diálogos e de mudanças, actividades que provocam dúvidas e esperam resposta. Por isso o ensino é uma actividade que exige formação ao longo da vida. Assim se explica que o professor tenha de aceitar o desafio da investigação.
3. Com a publicação deste número da revista Psicologia, Educação e Cultura, encerramos o décimo terceiro ano da sua publicação. Isto corresponde a 13 volumes, 26 números e quase 3 centenas de artigos publicados. Grande e significativo tem sido o contributo prestado pela nossa revista à comunidade científica na produção e difusão do conhecimento em áreas tão importantes como a psicologia, a educação e a cultura. Muito nos honra também o número de mestrandos e doutorandos que, na elaboração das suas dissertações e teses, recorrem a trabalhos por nós publicados. Apraz-nos registar, ainda, a regularidade e pontualidade com que os números da revista têm saído. E, como nada se faz sem esforço e persistência, queremos agradecer a todos os colaboradores e sobretudo à equipa redactorial a dedicação e profissionalismo, que sempre revelaram.
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