Num espaço de reflexão em que o pensamento derruba
barreiras, em que as palavras ganham vida e as ideias
nascem livremente, é-te dada a oportunidade de fazeres
como o poeta e não ires por aí…
Vem
por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
Não, não vou por aí! Só vou
por onde
Me levam meus próprios passos...
Ah, que ninguém me dê
piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí! |
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